Quinta-feira, 31.01.13

Um dos princípios básicos do Budismo é a Impermanência. Tudo muda constantemente, sendo mesmo impermanente a nossa existência individual, que por si só não existe. Cada um e cada coisa depende de tudo o resto, nada existe por si só e nada permanece, tudo está eternamente a mudar.

Desta forma não faz qualquer sentido falar de reincarnação, pois para que pudesse existir reincarnação algo teria de permanecer permanente entre os ciclos de morte e renascimento, o que por si só seria contraditório com o princípio da impermanência. Para o Budismo Mahayana em geral e para o Zen em particular , este raciocínio vai mais longe ao ponto de lhe ser perfeitamente indiferente quer a reincarnação quer o próprio renascimento, este sim, conceito muito defendido pelo Budismo.

Para o Budismo Mahayana, toda a nossa existência é constituída por um conjunto de momentos actuais onde existimos, não havendo lugar para o passada nem predição do futuro. Desta forma para o budismo Zen, o importante é em cada momento presente vivermos plenamente todas as nossas potencialidades enquanto seres humanos na procura do Nirvana. Só no momento presente podemos encontrar a Iluminação.Daí a importância do “Aqui e Agora”, não havendo qualquer preocupação para com o futuro seja dentro deste ciclo de vida ou de um qualquer outro que possa existir. O pensamento em outra reincarnação é como que uma desculpa de alguns sistemas filosóficos para que não se tentem alcançar os nossos objectivos na vida actual que temos, assim se não conseguirmos agora sempre temos a possibilidade de o fazer na outra vida.

Não é este o pensamento nem o caminho do Zen. O caminho do Zen é o vivenciar a nossa natureza búdica a cada momento da nossa vida. Com o passado nada podemos fazer. O futuro é incerto e nunca o alcançamos. O Aqui e Agora é uma dádiva, por isso se chama presente. É um presente que nos é dado a cada momento da nossa existência, e que devemos disfrutar plenamente. Então a ser assim porque nos preocuparmos com reincarnações ou renascimentos….????

O nosso renascimento é a cada momento é ai que temos a possibilidade de renascer verdadeiramente em toda a plenitude da nossa natureza búdica.

Aqui e Agora.

 

Por Luís Biscaia



publicado por Zen Portugal às 01:25 | link do post | comentar

Domingo, 06.01.13

Habitualmente dizemos “o meu corpo”,” a minha boca”, “a minha mente”… Quando dizemos isto desta forma denotamos sempre um sujeito e um objecto que, se pensarmos um pouco mais a fundo acabam por ser difíceis de encontrar.

Quando eu digo, ”a minha boca”. O “minha” é de quem? A “minha” mente, a mente é de quem? Onde está o sujeito detentor, possuidor da boca e da mente? Se o meu corpo é meu, onde está o eu?

Significa então que todos este objectos não têm existência para alem de mim, que são vazios na sua própria forma. Sou Eu, independentemente do que isso signifique, que lhes dou nome e forma, pois na sua essência são vazios de existência. “Forma é vazio, e vazio é forma”.

Da mesma forma, a visão, o cheiro, o tacto, o olfacto e o paladar só existem quando em contacto com os meus próprios órgãos dos sentidos, que como sabemos podem ser enganadores em determinadas circunstancias. Uma corda e uma cobra num luz ténue podem perfeitamente ser baralhadas pela nossa visão. O cheiro só existe para o nosso nariz, que depois o identifica com algo na nossa mente. Por si só o cheiro nada é. É vazio.

Assim quem cria as formas é a nossa própria mente que pode ser enganada ou se enganar em determinadas circunstancias da nossa vida.

Tudo é vacuidade, tudo é impermanente até mesmo o Eu que constantemente procuramos.

Mas desta forma onde está o Eu? Quem é este EU que eu identifico simultaneamente como sujeito e que depois não consigo definir? Será também vazio e não existir por sim mesmo enquanto tal?

Termino desejando a todos um excelente ano de 2013, nesta procura constante do nosso EU.

 

por Luís Biscaia



publicado por Zen Portugal às 21:25 | link do post | comentar

Quarta-feira, 05.12.12

Quando no budismo nos referimos às 3 jóias estamos a falar de Budha, do Dharma e da Sangha.

A raiz da palavra budha significa despertar, tomar conhecimento e compreender o caminho que aliviará o ser sensível de toda a angústia e de todo o sofrimento. Este Caminho é-nos indicado através da Doutrina, o Dharma. Ou seja a mensagem que expõe a lei suprema que por si só fundamenta toda a existência, que uma vez compreendida e assimilada, liberta o homem de dhukka, proporcionando uma imensa paz de espirito.

Assim, o Budha é importante na medida em que é através dele que recebemos o Dharma, contudo neste ponto temos duas faces de um mesmo diamante. Sem Budha não existe Dharma, e o Dharma só existe em si mesmo em Budha.

Por seu lado a Sangha é toda a comunidade de todos aqueles que seguem budha ou que dão corpo ao dharma, sempre prontos para transmitir toda a fé, amor e compaixão a todos os seres sensíveis, ou seja, todos estes seres dão o exemplo de budha, divulgando o dharma dentro e fora da própria sangha.

Desta forma, a Sangha é a materialização dos ensinamentos, Dharma, ensinados por Budha, não podendo portanto existir por si mesmo, da mesma forma que dharma, sem Budha também não existe, criando neste ponto um mesmo diamante com três faces que por si só criam um só e único grande diamante onde o todo é mais que a soma das partes.


Luís Biscaia



publicado por Zen Portugal às 16:19 | link do post | comentar

Terça-feira, 27.11.12
Todos os seres são Budas desde o inicio;

É como o gelo e a água;

Sem água não existe gelo;

Seres sensíveis exteriores, onde buscamos o Buda?

Não sabendo quão perto está a verdade,

As pessoas a buscam em lugares distantes...

Elas são como aquele que no meio da água,

Sedento grita, implorando por ela.


Hakuin





publicado por Zen Portugal às 01:32 | link do post | comentar

Quarta-feira, 21.11.12

Feliz é aquele que quer o que tem...

                                         ... e não aquele que tem o que quer.



publicado por Zen Portugal às 19:46 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Terça-feira, 20.11.12

Chan



publicado por Zen Portugal às 01:58 | link do post | comentar

Sexta-feira, 16.11.12

Outono



publicado por Zen Portugal às 23:15 | link do post | comentar

Quinta-feira, 15.11.12

O Zen tem uma colecção de histórias didáticas que ilustram bem os diferentes aspectos da doutrina.

 

Vou tentar pôr aqui uma ou outra para que os leitores possam começar a ter uma idea de como o Zen gerou todo um corpo literário em redor destas pequenas histórias.

 

Na Dinastia Tang houve um monge que caiu a dormir a meio da tarde, depois de trabalhar no campo. Dormiu um bom bocado e quando acordou espantou os outros monges ao correr para o escritório do abade. O pobre do abade ficou também um pouco espantado e perguntou-lhe porque era toda aquela comoção, ao que o monge respondeu: "quando caí a dormir, fui ao céu e ao inferno"

 

O abade perguntou-lhe então o que tinha visto e como era um e outro. Ao que o monge respondey: "na realidade não diferem muito um do outro, ou, melhor um pouco, não diferem em quase nada: ambos estão povoados por almas muitíssimo bem parecidas, bem cuidadas, vestidas nas melhores sedas, a paisagem é uma maravilha, e tanto no céu como no inferno as almas sentam-se a uma mesa com as melhores iguarias que se possa imaginar. Mas é aqui que o céu difere do inferno: é que embora tanto num como noutro as pessoas só possam usar pauzinhos de aproximadamente um metro, no inferno as pessoas apanham a comida dos pratos e tentam metê-la na boca e como os paus são tão longos, não conseguem. A comida cai-lhes sobre a roupa e para o chão e as pobres almas andam sempre esfomeadas e desesperadas sem conseguirem comer seja o que for. No céu é mais ou menos a mesma coisa só que as almas se tentam alimentar umas às outras em vez de se alimentarem a si mesmas. Deste modo, todas as almas estão saciadas e nunca têm grande fome. No fim, o céu e o inferno só diferem pela atitude das almas que lá estão: no inferno as almas são egoistas e sofrem eternamente pelo seu egoísmo e no céu são generosas e estão saciadas pelos frutos dessa generosidade"

 

Gosto de me lembrar desta história tanto quanto possível e pergunto-me sempre como posso ser generoso.



publicado por Zen Portugal às 02:38 | link do post | comentar

Segunda-feira, 07.05.12

Passaremos a ter um novo colaborador neste blog, que - esperamos - muito ajudará a revitalizá-lo. Luís Biscaia acaba de colocar um novo post sobre o que é o Chan, contamos com uma colaboração frequente. 

Benvindo ao Zen Portugal!



publicado por Zen Portugal às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Viver o CHAN, é viver o dia-a-dia, é viver o momento presente, é viver.
O CHAN não tem regras nem dogmas, não se aprende pelo mensageiro mas sim pela mensagem. “Se encontrar o buda na estrada, mate-o.”
Viver o CHAN, é prestar atenção a tudo o que fazemos no nosso dia-a-dia de forma plena e consciente sem quaisquer automatismos, é entregarmo-nos de corpo e alma a tudo o queemos e a tudo o que somos.
Na era da informação e da multitarefa, o CHAN remete-nos para o contrário, para o processamento simples de uma tarefa de cada vez com uma atenção plena, para vivenciar avida um passo de cada vez, saboreando o nosso bem mais precioso, a Via.
Ao passado não podemos alterar uma vírgula, o futuro não sabemos o que é e nunca lá chegaremos portanto a nossa existência deve-se centrar no presente, é no presente que nosrealizamos de forma completa e plena.
Em cada actividade da nossa vida há uma oportunidade para viver o Chan. Nas palavras de Núvem Vazia: "As nossas actividades diárias têm lugar na Via. Haverá um lugar onde não se pratique a Via? Um salão de meditação não deve ser necessário para tal."
É através desta simplicidade de viver que encontramos a paz, a alegria e nos libertamos dos desejos que nos levam a dukkha.
Não estamos de forma alguma a fugir dos problemas ou da vida, pelo contrário, estamos a viver cada momento, preocupando-nos com aquilo que de facto é mais importante. Aquilo que não depende de nós, não vale a nossa preocupação. Como aquela celebre frase que diz “ se um problema tem solução não vale a pena nos preocuparmos, e se não tiver solução também não.”
É esta simplicidade e paz que devemos levar para a meditação, para nos encontrarmos com o nosso centro e partir dai para o encontro com o outro, é a descoberta do eu liberto do nosso ego. É a nossa forma mais pura e simples de ser e estar. É a forma de viver o momento, de nos sentirmos vivos em comunhão com o todo o universo.
É esta a via do CHAN, a via da simplicidade e do momento.
Ser budista CHAN é apenas isto:SER.


tags:

publicado por Luís Biscaia às 21:50 | link do post | comentar

mais sobre mim
Janeiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


posts recentes

O Zen e a Reincarnação

Onde está o Eu?

Três jóias ou um grande d...

"Canção da Meditação"

Felicidade

Chan

Outono

O Céu e o Inferno - Uma h...

Novo colaborador deste Bl...

Simplicidade do CHAN

arquivos

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Maio 2012

Maio 2010

Março 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

tags

chan

citações

espiritualidade zen budismo chan

história

impermanência

mahayana

meditação

meditação chan

meditação zen

prática

reincarnação

verdade

zen

todas as tags

links