Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Ao debatermos a prática ou possível "conversão" ao Budismo, o primeiro aspecto sobre que nos debruçamos é o da fé: em que é que os Budistas acreditam? "Acreditar" não será o termo mais próprio, o Budismo é uma religião de prática e que incide fortemente na experiência pessoal. Ao contrário das religiões ocidentais - Cristianismo, Judaísmo, Islão - o Budismo não requer que se se acredite num Deus ou numa hierarquia de crenças. O Budismo não tem uma teologia no sentido de sustentar uma disciplina que estude um Deus e a sua possível relação com o homem. O que o Budismo tem é um imenso historial de exploração da mente e da natureza da Realidade, e todo este historial se reduz a quatro verdades elementares que o Buda Shaquiamuni articulou durante a meditação e que o levou à libertação. em vez de "acreditar", todos os Budista reconhecem a profundidade das Quatro Nobres Verdades:

  • Dukha - "sofrimento" - este verdade indica que a vida é cheia de sofrimento e obstáculos, que vivemos num estado permanente de insatisfação, quer seja em relação às nossas finanças, ao nosso estado profissional, à nossa família, educação, status social ou qualquer outra ração que se queira pensar. A vida é um permanente estado de insatisfação, nunca temos o que queremos e nunca queremos o que temos, o que obtemos nunca chega.
  • Samudaya - "causa do sofrimento" - a causa do nosso constante sofrimento ou insatisfação é a nossa ânsia constante, estamos sempre à procura de mais, de melhor. Estamos sempre a comparar o que temos e o que somos com o que os outros têm ou com a nossa imagem do que deveríamos ser e do que deveríamos ter. Os Tibetanos pintam uma criatura alegórica que demonstra bem este princípio: é um ser vagamente humano que tem uma boca muito pequena e uma barriga imensa: tal como cada um de nós, a barriga é maior do que o que conseguimos comer, no fim, não interessa quanto comamos, estamos sempre com fome para mais.
  • Nirodha - "cessar o sofrimento" - esta verdade indica-nos que não há razão para vivermos insatisfeitos, que há maneira de parar essa insatisfação. Um pouco como nas Ciências, o Budismo identifica um problema, detecta-lhe a causa e prescreve uma solução. Por muito ou pouco que a esperança nos anime, pudemos estar cientes que é possível derrotar o nosso sentido constante de insatisfação
  • Marga - "o caminho que acaba com o sofrimento" - esta verdade diz-nos que ao seguirmos a Via Óctupla estamos a caminho de eliminar o sofrimento. Como veremos, esta via é essencial para a prática do Budismo e constitui os alicerces de uma sólida prática de Chan.

Como indicávamos acima, estas verdades não são dogmas em que se acredite mas sim observações que cada um pode fazer sobre a vida em geral. Não é necessária grande educação, fé ou habilidade filosófica, a mera observação do curso das nossas vidas nos levará ao reconhecimento destas verdades. Este reconhecimento é o primeiro passo para a prática do Budismo.



publicado por Zen Portugal às 18:46 | link do post | comentar

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

"Conversão" é um termo que pode ter conotações negativas. Como todos nascemos e crescemos no seio de uma religião, a nossa conversão a uma outra acarreta um certo sentimento de perca e de alienação. É quase um pouco como se estivéssemos a negar a nossa raíz cultural, e é por isso que muitos resistem mudar a sua orientação religiosa ainda que, por vezes, se sintam desconfortáveis com a que praticam.


De um ponto de vista emocional, a conversão ao Budismo não é particularmente fácil num País como Portugal: o Budismo parece-nos fortemente alheio; é, no fundo, uma religião que identificamos com o Extremo Oriente e que conota uma herança cultural que nos é estranha. Há quem estude, entenda e até chegue a practicar o Zen sem chegar a ter a coragem de tomar o último passo e reconher que a sua conversão já teve lugar.


Ao se considerar a conversão ao Budismo Chan, e apárte a consideração de que convém ter-se bastante familieridade com os princípios da Religião, é importante ter-se em mente que o Chan não requer mudanças de cultura. Tanto como ao longo da sua expansão pelo Oriente o Chan se adaptou à cultura Coreana e se passou a lá chamar Son, e como ao passar para o Japão se passou a chamar Zen, o Chan está preparado a adoptar os nossos modos culturais ao se espalhar pelo Ocidente.


A prática do Chan não requer vestimentas especiais, não requer implementos particulares nem uma mudança de dieta ou de regime de vida que vão contra as normas culturais Ocidentais. Claro que é recomendável que se reduza o consumo de carne, que se deva observar os preceitos morais apresentados na Via Óctupla, mas nada disto implica que os praticantes se transformem em vegetarianos intrasigentes ou que levem uma vida de monges.


O que é de principal importância é que cada praticante se empenhe a practicar a Via Óctupla, e que se dedique a considerar a mais sensata opção de vida. A nossa Ordem está empenhada a trazer o Chan ao Ocidente e não em transformar os practicantes ocidentais em pseudo-monges.


No próximo post faremos mais menções sobre o que acarreta uma conversão ao Budismo Chan.





publicado por Zen Portugal às 18:45 | link do post | comentar

Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Feliz é o homem que quer aquilo que tem, e não o homem que tem aquilo que quer.



publicado por Zen Portugal às 18:55 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

A resposta mais simples é que "Chan" é o termo Mandarim para "Zen" ou... "Zen" é o termo Japonês para "Chan."
A resposta mais complicada é que, no fim, não importa. "Chan" é o termo em Mandarim para "dhyana" - o termo em Sânscrito para "meditação", ao ser levado para o Japão, "chan" transformou-se em "zen" e ao ser levado para a Coreia, transformou-se em "son". Dado o relativo isolamento da China em relação ao Ocidente durante grande parte do século passado, e o facto de a cultura Japonesa ter tido alguma expressão no Ocidente (particularmente nos Estados Unidos) após a Segunda Guerra Mundial, os termos Japoneses para as diferentes seitas e prácticas Budistas ganharam primazia nos vocabulários Ocidentais. Assim, ouvimos falar de "Zen", "zazen" e de "Roshi" em vez de "Chan", "zuochan" ou "Shifu", preferimos os termos Japoneses aos Chineses meramente por familieridade. Não há termos "correctos", apenas termos mais ou menos familiares.
Neste blog tentaremos usar termos Chineses excepto nos casos em que o termo Japonês tenha se tenha institucionalizado - o que será por exemplo, o caso de Zen.
Mas para além destas diferenças linguísticas, que diferenças é que há entre as duas tradições?
Como em muito que se relaciona com o Budismo, há diferentes níveis na nossa resposta: a um nível elementar, não diferença entre Chan e Zen, ambos descrevem a práctica Budista fundamental de realizarmos a nossa natureza fundamental e o vazio que permeia tudo; a um nível etnológico, o Chan está imbuído de influeèncias culturais Chinesas enquanto o Zen de influências Japonesas. Assim, os paramentos e ritos seguem os parâmetros da cultura em que o Chan é practicado. Por exemplo, o Chan tem uma vertente fortemente monástica enquanto que o Zen mistura esta inclinação ao monasticismo com a existência de sacerdotes que vivem fora de mosteiros, têm a sua família e regem templos que são herdados de pai para filho. Na China a práctica monástica derivou ao longo dos séculos da necessidade de transformar uma criança iletrada de um qualquer canto do império num membro educado da sangha. Dada a extensão do País e a sua dinâmica histórica isto só tem sido possível através de instituições monásticas. No Japão, dada a sua densidade populacional e uma articulação cultural diferente, o Zen evoluiu por duas vias: uma monástica similar ao modelo Chinês e uma outra sacerdotal mais adaptada à cultura local.
Não obstante estas diferenças de organização, o que é importante realçar é que a práctica do Chan/Zen é a mesma em qualquer cultura, que a sua orientação é a nossa realização da nossa verdadeira natureza, e que a bagagem histórica ou ritual é francamente menos importante que este objectivo.
 



publicado por Zen Portugal às 19:43 | link do post | comentar

Benvindos ao blog em Português da Ordem Zen Budista de Hsu Yun. Este blog tem por missão divulgar os ensinamentos Chan (o original Zen Chinês) no mundo Lusófono, de acordo com a escola Lin Chi ("Rinzai" em Japonês) e tal como transmitidos pelo Mestre Hsu Yun.
Este blog está afiliado na Zeb Buddhist Order of Hsy Yun, um ministério Chan virtual originado pelo Mestre Jy Din no Mosteiro de Hsu Yun em Honolulu, Hawaii, e gerido pelo Abade, o Rev. Chuan Zhi Shakya.
Ao longo do tempo iremos introduzindo os ensinamentos Chan de acordo com a nossa tradição.
Dado a nossa orientação de nos abstermos de agendas politicas, a tanto este blog como a ZBOHY não estão associados com o Fa Lun Gong nem com quaisquer outros grupos que sejam ilegais na República Popular da China, em Portugal ou em qualquer outro país.
As opiniões expressas neste blog não são necessáriamente as da ZBOHY, da Direcção da Ordem ou dos seus Directores Espirituais
 



publicado por Zen Portugal às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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