Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Num post anterior vimos que a Via Óctupla se organiza em três grupos:

  • Sabedoria
  • Moralidade
  • Concentração (ou meditação)

Neste post falaremos um pouco desta divisão e do seu significado.
À primeira vista, nada há de incorrecto em considerar que a Via Óctupla é o que é e que não necessita de organização ou de muita explicação e isso é particularmente verdadeiro quando se consideram os praticantes mais familiarizados com o Zen. Ainda assim, é sempre útil rever estes aspecto mais elementares do Budismo para se ter uma prática mais informada.

De acordo com esta classificação tripartida, a Sabedoria reflecte os tipos de acções relacionadas com a nossa vida em sociedade, não só em relação a outros Budistas mas, literalmente, em relação ao mundo em nosso redor. Assim, é fácil compreender que a visão correcta nos permita considerar que nada à nossa volta tem natureza própria, que nada é independente, que há sempre uma outra perspectiva para além da nossa e que o nosso ego não é o rei do universo. Compreendemos também que ter uma intenção correcta é essencial a mantermos uma presença harmoniosa na sociedade, que uma intenção correcta se traduz numa "boa intenção", o que no Budismo é enunciado como "não fazer mal" e depois, mais activamente, "fazer o bem". Ainda de acordo com esta divisão, a Moralidade relaciona-se com a nossa postura individual, com uma colecção elementar de regras para conduta correcta: o discurso correcto tem a ver com falar para comunicar em vez de falar só pelo prazer de falar, com dizer a verdade e manter uma comunicação positiva, evitar maldizer seja o que for ou quem for, etc. Acções correctas têm a ver novamente em não só não se fazer mal, como se buscar activamente fazer bem; o Budismo não prescreve um código rígido de conduta: cada um de nós tem que saber o que é bom e o que é mau e agir de acordo com esses conceitos. Isto não quer dizer que o Budismo encorage o desenvolvimento de códigos de conduta pessoais mas sim que há inúmeras excepções no que se considera uma acção positiva e que cada um de nós tem a habilidade e a obrigação de fazer a distinção apropriada. O viver correcto tem a ver com a nossa conduta diária, com a maneira como nos portamos e conduzimos a nossa interacção com as outras pessoas e com o mundo à nossa volta. No Zen, e mais particularmente na nossa seita LinJi, o viver correcto tem a ver com o exercício constante da atenção, com o nosso esforço constante de estarmos presentes a cada momento e cientes de tudo o que se passa connosco e ao nosso redor.
Finalmente, a Concentração ou Meditação está relacionada com a nossa postura em relação à nossa mente e à maneira de a cultivarmos. Esforço, atenção e concentração são aspectos essencias da nossa prática mental, são elementos que temos que aplicar constantemente na nossa meditação. O esforço correcto é particularmente interessante porque ilustra o êmfase que o Budismo Zen põe em escolher sempre a opção mais equilibrada: esforço correcto tem a ver só mesmo com o que nome diz, ao contrário de fazer o mínimo possível ou de praticar constantemente para além do que seja razoàvel, o Budismo requer que cada um de nós faça sempre um esforço adequado à situação, isto poderá por vezes corresponder a um esforço grande a outras vezes a um esforço pequeno mas o que é importante é que exercitemos o nosso julgamento e senso comum em determinarmos qual é a medida correcta de esforço que temos que aplicar a cada situação.
 



publicado por Zen Portugal às 19:35 | link do post | comentar

2 comentários:
De "Cantinho Da Florinda" a 24 de Setembro de 2009 às 13:03
Olá!
Gostei imenso de ler esse blog, e peço desculpa se o meu post não lhe agradou, mas é que como expliquei em baixo no post, aquilo foi um e-mail que me andam a enviar à muito tempo e não só uma vez porque ainda ontem recebi mais um de novo mas de uma pessoa diferente, e como eu não conheço o conceito do budismo eu como também respeito as outras religiões coloquei em um post.
Mas por exemplo à tempos atrás vi uma cena na televisão em que as pessoas pediam algo e, levantavam buda, e se não pudessem levantar pela segunda vez, aquilo que as pessoas pediam ia se realizar, isso é verdade?
Como vi em dois filmes gostava de saber se realmente fazem isso ou não.
Beijinhos e fiquem bem.


De Zen Portugal a 24 de Setembro de 2009 às 19:13
Olá Florinda. Nada, o post não me desagradou, fiquei só um bocadinho preocupado porque dá uma ideia incorrecta do Budismo. Há na realidade uma série de práticas desse género nalgumas seitas Budistas. Mas no geral o Budismo é isento de orações ou prédicas que melhorem a sorte ou tornem desejos em realidade. Essas acções só servem para aumentar o nosso apego ao mundo, às nossas possessões e aos nossos desejos. Tudo isso só serve para aumentar o nosso sofrimento.
O Budismo está muito mais interessado em que nos despeguemos do mundo e dos nossos desejos, a primeira libertação vem de querermos o que temos e não de virmos a ter o que queremos.
Boa sorte ou má sorte, riqueza ou pobreza , são conceitos de dualidade que não não nos ajudam a progredir espiritualmente.
"Passa por cá" por este blog de vez em quanto que vou pondo mais e mais informação sobre o Budismo.


Comentar post

mais sobre mim
Janeiro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


posts recentes

O Zen e a Reincarnação

Onde está o Eu?

Três jóias ou um grande d...

"Canção da Meditação"

Felicidade

Chan

Outono

O Céu e o Inferno - Uma h...

Novo colaborador deste Bl...

Simplicidade do CHAN

arquivos

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Maio 2012

Maio 2010

Março 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

tags

chan

citações

espiritualidade zen budismo chan

história

impermanência

mahayana

meditação

meditação chan

meditação zen

prática

reincarnação

verdade

zen

todas as tags

links