Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

No seguimento do nosso post anterior, vamos agora debruçarmo-nos sobre a prática formal da meditação e que corresponde à meditação sentada que normalmente associamos com o termo "meditação."

A "mecânica" dessa prática é a seguinte:

  • local - escolha um local calmo e neutro na sua casa - a música e a voz humana são a maneira mais fácil de ficar distraído. Na nossa seita Linji a meditação é feita face a face ou seja, uma linha de pessoas num lado da sala, virados para outra linha de pessoas no outro lado da sala. Quando se pratica sozinho este requerimento não se põe, muita gente medita de costas para a parede, e outros preferem meditar virados para a parede, a cerca de um metro da parede. O Bodidarma que trouxe o Budismo Chan da Índia para a China meditou assim por 9 anos e foi assim que atingiu a iluminação. Veja que maneira de se sentar lhe é mais confortável.
  • almofada - Não se aconselha a compra de um zafu (uma almofada para nos sentarmos durante a meditação) logo no início, pode-se usar umas almofadas ou até uma outra superfície rígida (um livro grosso) coberta por uma almofada. Sentar-se-à na beira deste assento improvisado. O assento não terá mais do que uns 12 cm de altura (veja o que lhe é mais confortável)
  • ambiente - o mais calmo possível, é preferível reservar algum tempo logo muito cedo de manhã (em mosteiros, os monges começam o dia as 4:00 da manhã) ou então ao fim do dia quando o barulho exterior já quase desapareceu. Não é preciso ter estátuas ou pinturas do Buda ou dos Bodisatvas ou até caligrafia. Quanto mais simples o ambiente, melhor. Pode queimar incenso se quiser, o incenso vem em paus que têm comprimentos que correspondem ao tempo que demoram a arder: 15 minutos (raro de encontrar), 30 minutos (o mais comum), etc. Mas de início não estará meia hora sentado por isso é melhor colocar um despertador ou relógio na periferia do campo de visão
  • ritual - pomos as mãos juntas e fazemos uma vénia à sala (dobramo-nos pelas ancas e não pelos ombros quando fazemos vénias), depois uma vénia à parede, e depois uma vénia ao assento. Sente-se de pernas cruzadas. Aqui tem diversas hipóteses: pode cruzar as pernas normalmente mas de forma a que o pé direito fica mais perto do corpo e o pé esquerdo mais de fora, ou então use a postura birmanesa que é das mais populares: dobre a perna direita e traga o pé direito junto ao corpo, depois dobre a perna esquerda e traga o pé esquerdo para de fronte do direito. Há diagramas destas posturas online que pode consultar para clarificação. Depois coloca-se a mão direita sobre a mão esquerda e descansa-as a cerca de 3 cm abaixo do umbigo (tente descobrir uma altura que lhe seja confortável), a mão esquerda é a que fica mais perto do chão e a direita fica-lhe por cima com ambas as palmas viradas para cima. Depois endireite as costas, sem exagerar. Imagine que tem um cordel no topo do crânio que o puxa para o tecto e que o faz endireitar a coluna. descontraia a cara num vago sorriso, semicerre os olhos e está pronto a meditar. Ao acabar a meditação seguirá estes passos em ordem inversa.
  • meditação - o processo a seguir é bastante simples: conte silenciosamente cada vez que exalar comece a contar em um até oito, observe o ar a entrar nos pulmões com a inspiração e sair com a exalação. Não tente controlar o processo, deixe-se respirar normalmente. Quando algum pensamento aparecer, observe o pensamento mas não o tente extinguir, se sentir desconforto, observe o desconforto mas veja se não se mexe, o mais natural é começar com comichão por todo o lado e com uma vontade incontrolável de se mexer, isso é natural, observe a sensação mas sem reagir. Se se distrair a meio de uma contagem, volte a contagem a 1. Tente meditar 10 minutos de cada vez, no mínimo uma vez por dia, o máximo duas vezes. Ao fim de uma semana pode aumentar para 15 minutos.


Ter-sè-à que ter imensa paciência pois de início é necessário que se consiga pacificar a mente, e esta é a meditação preliminar para tal fim. Decerto que vai ficar aborrecido por estar sentado tanto tempo, tão desconfortável sem fazer nada, e também por o tempo passar e estar sempre a meditar neste processo.

No próximo post falaremos mais sobre este processo.
 



publicado por Zen Portugal às 16:28 | link do post | comentar

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