Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

A prática formal da meditação vai tendo um efeito gradual na nossa mente. Mesmo que não se pratique mais nenhuma forma de meditação que a que aqui temos apresentamos, é certo que se observarão resultados, a mente acalma e começamos a desenvolver um sentido mais apurado de introspecção. O processo de ficar só a observar a mente e o mundo à nossa volta sem se tentar interferir num ou no outro é o que se chama em Chan "Iluminação Silenciosa" (shikantaza em Japonês e zhiguan da zuo em Mandarim).

 

Á medida que praticamos vamos observando os seguintes níveis na nossa meditação:

 

  1. ficamos alerta para com o que se passa à nossa volta e com a nossa mente - apercebemo-nos de ruídos quando meditamos, apercebemo-nos das pequenas comichões e desconfortos, da temperatura da sala em que estamos, da presença de quem está à nossa volta, do que se passa com o nosso corpo, com a nossa respiração, com os pensamentos que aparecem e desaparecem quase sem parar.
  2. acalmamos a confusão da mente - a hipérbole usada pelos mestres Chan é que o macaco cobre os olhos e os ouvidos, ou seja, neste estado perdemos o sentido ao que vemos e ouvimos quando meditamos, a nossa concentração é inteiramente dirigida ao nosso mundo interior, os objectos e eventos externos têm uma influência reduzida na nossa meditação
  3. voltamos constantemente ao método - os mestres usam o exemplo de um macaco (a mente) que está amarrado a um poste: não pode ir muito longe e volta sempre para junto do poste. De forma similar, nesta fase somos capazes de voltar a focar a mente na observação cada vez que ela se dispersa atrás de um pensamento ou distracção.
  4. concentração unificada - nesta fase não há envolvimento com objectos externos e mesmo os objectos externos perdem expressão. O macaco da nossa mente está calmo
  5. consciência da respiração ainda está presente - ainda temos a noção de sermos entes com identidade e natureza própria mas nesta fase paramos espontaneamente de contar a respiração
  6. unificação dos mundos externos e internos - o corpo e a mente, o mundo interior e o exterior ainda existem para nós mas já não os consideramos como estando separados um do outro, deixa de haver um "eu" separado da realidade envolvente.

 

Cada um destes níveis tem as suas dificuldades e gera as suas dúvidas e convém ter-se um sacerdote ou monge que nos guie através deste processo.



publicado por Zen Portugal às 21:49 | link do post | comentar

1 comentário:
De Nelson a 2 de Setembro de 2011 às 13:38
Iniciei há pouco tempo a prática de zazen e estes posts são uma excelente introdução ao zazen. Já tinha lido outras coisas, mas estas são das mais claras e simples.


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