Quinta-feira, 15 de Novembro de 2012

O Zen tem uma colecção de histórias didáticas que ilustram bem os diferentes aspectos da doutrina.

 

Vou tentar pôr aqui uma ou outra para que os leitores possam começar a ter uma idea de como o Zen gerou todo um corpo literário em redor destas pequenas histórias.

 

Na Dinastia Tang houve um monge que caiu a dormir a meio da tarde, depois de trabalhar no campo. Dormiu um bom bocado e quando acordou espantou os outros monges ao correr para o escritório do abade. O pobre do abade ficou também um pouco espantado e perguntou-lhe porque era toda aquela comoção, ao que o monge respondeu: "quando caí a dormir, fui ao céu e ao inferno"

 

O abade perguntou-lhe então o que tinha visto e como era um e outro. Ao que o monge respondey: "na realidade não diferem muito um do outro, ou, melhor um pouco, não diferem em quase nada: ambos estão povoados por almas muitíssimo bem parecidas, bem cuidadas, vestidas nas melhores sedas, a paisagem é uma maravilha, e tanto no céu como no inferno as almas sentam-se a uma mesa com as melhores iguarias que se possa imaginar. Mas é aqui que o céu difere do inferno: é que embora tanto num como noutro as pessoas só possam usar pauzinhos de aproximadamente um metro, no inferno as pessoas apanham a comida dos pratos e tentam metê-la na boca e como os paus são tão longos, não conseguem. A comida cai-lhes sobre a roupa e para o chão e as pobres almas andam sempre esfomeadas e desesperadas sem conseguirem comer seja o que for. No céu é mais ou menos a mesma coisa só que as almas se tentam alimentar umas às outras em vez de se alimentarem a si mesmas. Deste modo, todas as almas estão saciadas e nunca têm grande fome. No fim, o céu e o inferno só diferem pela atitude das almas que lá estão: no inferno as almas são egoistas e sofrem eternamente pelo seu egoísmo e no céu são generosas e estão saciadas pelos frutos dessa generosidade"

 

Gosto de me lembrar desta história tanto quanto possível e pergunto-me sempre como posso ser generoso.



publicado por Zen Portugal às 02:38 | link do post | comentar

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