Domingo, 6 de Janeiro de 2013

Habitualmente dizemos “o meu corpo”,” a minha boca”, “a minha mente”… Quando dizemos isto desta forma denotamos sempre um sujeito e um objecto que, se pensarmos um pouco mais a fundo acabam por ser difíceis de encontrar.

Quando eu digo, ”a minha boca”. O “minha” é de quem? A “minha” mente, a mente é de quem? Onde está o sujeito detentor, possuidor da boca e da mente? Se o meu corpo é meu, onde está o eu?

Significa então que todos este objectos não têm existência para alem de mim, que são vazios na sua própria forma. Sou Eu, independentemente do que isso signifique, que lhes dou nome e forma, pois na sua essência são vazios de existência. “Forma é vazio, e vazio é forma”.

Da mesma forma, a visão, o cheiro, o tacto, o olfacto e o paladar só existem quando em contacto com os meus próprios órgãos dos sentidos, que como sabemos podem ser enganadores em determinadas circunstancias. Uma corda e uma cobra num luz ténue podem perfeitamente ser baralhadas pela nossa visão. O cheiro só existe para o nosso nariz, que depois o identifica com algo na nossa mente. Por si só o cheiro nada é. É vazio.

Assim quem cria as formas é a nossa própria mente que pode ser enganada ou se enganar em determinadas circunstancias da nossa vida.

Tudo é vacuidade, tudo é impermanente até mesmo o Eu que constantemente procuramos.

Mas desta forma onde está o Eu? Quem é este EU que eu identifico simultaneamente como sujeito e que depois não consigo definir? Será também vazio e não existir por sim mesmo enquanto tal?

Termino desejando a todos um excelente ano de 2013, nesta procura constante do nosso EU.

 

por Luís Biscaia



publicado por Zen Portugal às 21:25 | link do post | comentar

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