Ao debatermos a prática ou possível "conversão" ao Budismo, o primeiro aspecto sobre que nos debruçamos é o da fé: em que é que os Budistas acreditam? "Acreditar" não será o termo mais próprio, o Budismo é uma religião de prática e que incide fortemente na experiência pessoal. Ao contrário das religiões ocidentais - Cristianismo, Judaísmo, Islão - o Budismo não requer que se se acredite num Deus ou numa hierarquia de crenças. O Budismo não tem uma teologia no sentido de sustentar uma disciplina que estude um Deus e a sua possível relação com o homem. O que o Budismo tem é um imenso historial de exploração da mente e da natureza da Realidade, e todo este historial se reduz a quatro verdades elementares que o Buda Shaquiamuni articulou durante a meditação e que o levou à libertação. em vez de "acreditar", todos os Budista reconhecem a profundidade das Quatro Nobres Verdades:
- Dukha - "sofrimento" - este verdade indica que a vida é cheia de sofrimento e obstáculos, que vivemos num estado permanente de insatisfação, quer seja em relação às nossas finanças, ao nosso estado profissional, à nossa família, educação, status social ou qualquer outra ração que se queira pensar. A vida é um permanente estado de insatisfação, nunca temos o que queremos e nunca queremos o que temos, o que obtemos nunca chega.
- Samudaya - "causa do sofrimento" - a causa do nosso constante sofrimento ou insatisfação é a nossa ânsia constante, estamos sempre à procura de mais, de melhor. Estamos sempre a comparar o que temos e o que somos com o que os outros têm ou com a nossa imagem do que deveríamos ser e do que deveríamos ter. Os Tibetanos pintam uma criatura alegórica que demonstra bem este princípio: é um ser vagamente humano que tem uma boca muito pequena e uma barriga imensa: tal como cada um de nós, a barriga é maior do que o que conseguimos comer, no fim, não interessa quanto comamos, estamos sempre com fome para mais.
- Nirodha - "cessar o sofrimento" - esta verdade indica-nos que não há razão para vivermos insatisfeitos, que há maneira de parar essa insatisfação. Um pouco como nas Ciências, o Budismo identifica um problema, detecta-lhe a causa e prescreve uma solução. Por muito ou pouco que a esperança nos anime, pudemos estar cientes que é possível derrotar o nosso sentido constante de insatisfação
- Marga - "o caminho que acaba com o sofrimento" - esta verdade diz-nos que ao seguirmos a Via Óctupla estamos a caminho de eliminar o sofrimento. Como veremos, esta via é essencial para a prática do Budismo e constitui os alicerces de uma sólida prática de Chan.
Como indicávamos acima, estas verdades não são dogmas em que se acredite mas sim observações que cada um pode fazer sobre a vida em geral. Não é necessária grande educação, fé ou habilidade filosófica, a mera observação do curso das nossas vidas nos levará ao reconhecimento destas verdades. Este reconhecimento é o primeiro passo para a prática do Budismo.