Como indicámos no post anterior, o nosso sofrimento pode ser eliminado, é um problema que tem solução e essa solução é decidirmos seguir a Via Óctupla. Esta via divide-se em três grupos na seguinte forma:
Vamos debroçar-nos em maior detalhe sobre cada um destes aspectos nos nossos próximos posts, mas o que é importante realçar já é que o Budismo no geral e o Zen em particular, prescrevem que sigamos esta Óctupla Via se estamos deveras interessados em atingir a libertação do sofrimento. Qualquer prática que não se baseie nesta Via não é Zen.
A resposta mais simples é que "Chan" é o termo Mandarim para "Zen" ou... "Zen" é o termo Japonês para "Chan."
A resposta mais complicada é que, no fim, não importa. "Chan" é o termo em Mandarim para "dhyana" - o termo em Sânscrito para "meditação", ao ser levado para o Japão, "chan" transformou-se em "zen" e ao ser levado para a Coreia, transformou-se em "son". Dado o relativo isolamento da China em relação ao Ocidente durante grande parte do século passado, e o facto de a cultura Japonesa ter tido alguma expressão no Ocidente (particularmente nos Estados Unidos) após a Segunda Guerra Mundial, os termos Japoneses para as diferentes seitas e prácticas Budistas ganharam primazia nos vocabulários Ocidentais. Assim, ouvimos falar de "Zen", "zazen" e de "Roshi" em vez de "Chan", "zuochan" ou "Shifu", preferimos os termos Japoneses aos Chineses meramente por familieridade. Não há termos "correctos", apenas termos mais ou menos familiares.
Neste blog tentaremos usar termos Chineses excepto nos casos em que o termo Japonês tenha se tenha institucionalizado - o que será por exemplo, o caso de Zen.
Mas para além destas diferenças linguísticas, que diferenças é que há entre as duas tradições?
Como em muito que se relaciona com o Budismo, há diferentes níveis na nossa resposta: a um nível elementar, não diferença entre Chan e Zen, ambos descrevem a práctica Budista fundamental de realizarmos a nossa natureza fundamental e o vazio que permeia tudo; a um nível etnológico, o Chan está imbuído de influeèncias culturais Chinesas enquanto o Zen de influências Japonesas. Assim, os paramentos e ritos seguem os parâmetros da cultura em que o Chan é practicado. Por exemplo, o Chan tem uma vertente fortemente monástica enquanto que o Zen mistura esta inclinação ao monasticismo com a existência de sacerdotes que vivem fora de mosteiros, têm a sua família e regem templos que são herdados de pai para filho. Na China a práctica monástica derivou ao longo dos séculos da necessidade de transformar uma criança iletrada de um qualquer canto do império num membro educado da sangha. Dada a extensão do País e a sua dinâmica histórica isto só tem sido possível através de instituições monásticas. No Japão, dada a sua densidade populacional e uma articulação cultural diferente, o Zen evoluiu por duas vias: uma monástica similar ao modelo Chinês e uma outra sacerdotal mais adaptada à cultura local.
Não obstante estas diferenças de organização, o que é importante realçar é que a práctica do Chan/Zen é a mesma em qualquer cultura, que a sua orientação é a nossa realização da nossa verdadeira natureza, e que a bagagem histórica ou ritual é francamente menos importante que este objectivo.
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